Comecei minha vida como aviador, na década de 1960, antes da criação da Infraero e o melhor que tínhamos no Brasil era o Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo), que administrava o aeroporto de Congonhas e pequenos aeroportos no estado. As companhias aéreas também eram responsáveis por uma grande parte da manutenção da infraestrutura aeroportuária, auxílios à navegação aérea e administração de aeroportos. Empresas realizavam por sua conta a operação e manutenção de vários aeroportos, estações de rádio, controle, informações de vôo e até escolas de formação de pilotos. Vários aeroportos eram bases aéreas compartilhadas e bancadas pela FAB (Força Aérea Brasileira) e outros tinham administração estadual ou municipal. Com exceção de três ou quatro aeroportos, os demais eram de uma miséria vergonhosa.
Claro que a tecnologia evoluiu em todos os setores da aviação, mas posso afirmar que, caso não tivéssemos criado a Infraero no momento certo, a realidade hoje seria pior. Tivemos tropeços em várias administrações, desde o autoritarismo até administrações corruptas e incompetentes.
Assim como a Embraer. Petrobras, Vale e muitas outras, a Infraero sobreviveu e continuou a crescer apesar de toda sorte de dificuldades. Nesses últimos anos, venho tendo a oportunidade de estar muito próximo das administrações da empresa. Preciso destacar o trabalho do brigadeiro Cleonilson Nicácio da Silva, no saneamento e na recuperação técnica da empresa, e de Murilo Marques Barboza, que enfrenta os desafios do crescimento incomum da demanda da infraestrutura necessária para a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Conheci o módulo operacional de Brasília e posso dizer que é melhor do que a maioria das salas de embarque de aeroportos na América Latina. A Infraero emprega mais de 28.000 funcionários entre concursados e terceirizados, administra 67 aeroportos e concentra 97% do movimento de transporte aéreo regular. Vejo meus colegas aviadores, operadores e usuários criticarem a empresa por assuntos que nada tem a ver com ela. É o “finger que não está disponível", é a "mudança de portão de embarque", "falta de áreas operacionais", "atrasos nas decolagens", "redução de velocidades em rota e nas aproximações" e "falta de espaço nos pátios e áreas de manobras". Na maioria dos casos, a culpa é de sua própria companhia, que não tem aeronaves e funcionários suficientes ou vendeu passagens além da capacidade. Ao controle de tráfego aéreo, também faltam equipamentos e profissionais. Sem falar dos episódios em que a Receita Federal ou a Polícia Federal provocam o congestionamento de passageiros no aeroporto. Sugiro que este governo tenha o bom senso de considerar a Infraero como uma empresa que demanda grande conhecimento técnico e competência. No mais, basta conservar o que está certo e buscar consertar apenas o que está errado.











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