sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

0 De Brasília, o melhor terminal do país, ao Galeão, o pior, lotação e equipamentos quebrados



Do menos ao mais eficiente, do ponto de vista financeiro, os aeroportos brasileiros deixam muito a desejar para os usuários no que diz respeito à qualidade de serviços e infraestrutura. Repórteres do GLOBO passaram um dia nos aeroportos de Brasília e do Galeão, considerados o melhor e o pior, respectivamente, entre 16 terminais do país, segundo levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgado semana passada. Este se baseou na relação entre volume de passageiros/carga transportados e custos. Elevadores quebrados, estacionamentos lotados, dificuldades de acesso e sinalização de pista deficiente são alguns dos problemas que se tornaram rotina para quem viaja de avião no Brasil, seja no banco de passageiros ou no comando da aeronave. Um desafio para o novo presidente da Infraero, Gustavo do Vale.

Para especialistas, os problemas refletem falhas na gestão e falta de investimentos. Em 2010, o orçamento previsto para o Galeão era de R$ 108,6 milhões, mas apenas 63,5%, ou R$ 69,04 milhões, foram executados. No Aeroporto de Brasília, esse percentual é ainda menor: só 27% (R$ 3,59 milhões) da dotação de R$ 13,28 milhões foram aplicados. O montante foi destinado à instalação de um módulo de embarque provisório. Segundo a Infraero, estatal que administra os aeroportos, a baixa liberação de recursos se deve a licitações fracassadas ou adiadas.

- Falta um programa de manutenção adequado no Galeão. Esse aeroporto já foi o mais moderno do Brasil. Todo o sistema de informações deveria ser informatizado, para facilitar a gestão. Além disso, há forte politização da Infraero. Isso prejudica os aeroportos - diz o ex-presidente da Infraero e professor da Universidade de Brasília Adyr da Silva.

Congestionamento de aeronaves no Rio
No aeroporto carioca, pelo qual passaram 12,2 milhões de pessoas em 2010, um dos principais problemas é a falta de manutenção dos elevadores. No terminal 2, metade - são quatro no total - está quebrada há pelo menos quatro meses, segundo funcionários. No horário de pico, as filas são inevitáveis. Quem vai para lá de carro ainda tem de subir e descer as escadas com as malas, pois o elevador do estacionamento também não funciona.

No terminal 1, um terço dos 16 elevadores também estava inoperante semana passada. O estacionamento confirmava a precariedade. Sem vagas, os motoristas deixavam os carros em cima da calçada e na área destinada ao desembarque, atrapalhando o trânsito de passageiros.

Segundo a Infraero, "a distribuição das vagas será revisada com o objetivo de aproveitar melhor o espaço disponível". Com isso, a empresa estima aumentar em 20% o número de vagas no terminal 1, hoje de 4.310. Quanto aos elevadores, a Infraero informou que seu reparo consta de uma lista com 60 equipamentos que estão sendo substituídos no Galeão. Mas é bom o usuário ter paciência. "Todo o serviço deve ser finalizado no segundo semestre deste ano", afirmou a empresa em nota.

Fonte: O Globo

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