segunda-feira, 14 de novembro de 2011

0 Mais notificações e falhas na prevenção aérea explicam aumento de acidentes, diz especialista


Para o coordenador do Departamento de Treinamento de Voo da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul, Guido César Carim Júnior, o aumento no número de acidentes tem pelo menos duas possíveis explicações: o crescimento da fiscalização e consequente alta nas notificações e as falhas no sistema de prevenção.

“Há a possibilidade de estarmos conseguindo investigar mais acidentes do que no passado. Imagine uma aeronave agrícola ou um avião particular realizando voos em um aeródromo de pequeno porte, no meio do nada, sem a presença de órgãos de fiscalização. Havia uma grande tendência de esconder o acidente e contratar mecânicos para ‘montar’ o avião novamente. Atualmente, a fiscalização sobre as condições da aeronave são maiores, o que tem diminuído essa possibilidade”, afirmou.

Ainda segundo o especialista, os índices também “podem nos sugerir que há falhas no nosso sistema de prevenção de acidentes.” Segundo Guido, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) sofre atualmente de carência de pessoal. “Como resultado, a Anac não consegue dar conta do trabalho, reduzindo a fiscalização, principalmente dos aviões particulares, aviação de instrução, táxi aéreo, serviços aéreos especializados e agrícola”, disse.

De acordo com Carim, hoje, em vez de realizar um voo de verificação com um funcionário da Anac, um aluno que quer sua licença de piloto comercial realiza o voo com um avaliador da própria escola ou aeroclube. “Como saber se realmente ele está apto?”

Diferentes segmentos

Para o coordenador, apesar do aumento de acidentes registrados é preciso analisar os dados com “cuidado”, já que o número absoluto inclui todos os segmentos da aviação, como os voos privados --que não estão sujeito às devidas fiscalizações.

“Este é o caso da pessoa que tem seu avião e voa de vez em quando, podendo ser ela mesma ou um piloto contratado. Nesse caso sabe-se lá qual o nível de risco assumido por essas pessoas e quão hábil o piloto está para realizar um voo”, destacou, citando o caso dos voos agrícolas. “Nessa operação, conduzida por um único piloto, ele voa do nascer ao pôr do sol, realizando cerca de 20 pousos e decolagens.”

Segundo o professor, os dados usados pelos órgãos brasileiros são diferentes dos utilizados no resto do mundo, o que dificulta comparações internacionais. “O Cenipa considera somente os acidentes nos quais, entre outros, houve dano severo à aeronave e/ou morte.

A Anac pega os dados do Cenipa e pondera por algum valor para mostrar a exposição. No resto do mundo, os índices somente consideram os acidentes, com pelo menos perda total, ocorridos com aeronaves de grande porte realizando voos no transporte aéreo regular por milhões de pousos e decolagem”, disse.



Fonte: UOL Notícias - Cotidiano

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