A surpresa se deve à expressiva valorização em prazo tão curto, que fez o valor de mercado da Multiplus se aproximar ao da TAM, a maior aérea do país, que vale R$ 5 bilhões. "É como se o investidor da TAM comprasse as ações porque a empresa tem a carteira de clientes da Multiplus e não porque é uma companhia de aviação", diz Rodrigo Glatt, analista sênior e sócio da GTI Administradora de Recursos.
A arrancada da Multiplus na bolsa está atrelada, sobretudo, ao modelo de negócio. O cliente que compra passagens da TAM ou produtos e serviços de parceiros da companhia - como a rede de combustíveis Shell e os hotéis Accor - conta pontos que podem ser trocados por passagens aéreas.
A grande sacada da TAM foi perceber que, ao separar a Multiplus, poderia atrair mais parceiros comerciais e multiplicar o número de clientes. "Hoje, a Multiplus não depende da gestão da TAM para fazer essa ou aquela parceria. E os clientes que compram produtos nos parceiros automaticamente associam a imagem de viagem à TAM."
Para os investidores, o grande risco de uma operação de desmembramento é a nova companhia permanecer dependente da empresa-mãe. "O desafio é justamente fazer com que a empresa tenha capacidade de crescer sozinha, desvinculando ao máximo a operação com a parte relacionada", diz o consultor Paulo Sérgio Dortas, sócio da Ernst & Young.
Apesar da alta das ações da Multiplus, a operação ainda está sendo colocada à prova. Cerca de 98% dos pontos são resgatados hoje por passagens aéreas da TAM. O restante é proveniente de resgates feitos em outros parceiros, como troca por produtos em redes de supermercados.
Para mudar isso, desde a abertura de capital a Multiplus dobrou o número de parceiros comerciais, para 166. E os parceiros onde se acumula e também se troca pontos mais que triplicaram, de 5 para 18. O total de participantes na rede também subiu, de 6,3 milhões para 8,3 milhões no período. (DC)
Fonte: Valor Econômico











0 comentários:
Postar um comentário