A ação da Ryanair chegou a registrar ontem a maior queda em 20 meses em Dublin, depois que o presidente-executivo Michael O'Leary disse que vai colocar no chão 80 de 300 aviões e demitir funcionários na baixa estação, que começa em outubro.
Mesmo com um aumento de 12% nos preços das passagens, ele prevê um lucro líquido que não deverá ser maior que os € 401 milhões de 2010 - ou 18% menos que a estimativa média dos analistas. "É a primeira vez que ficaremos no vermelho no tráfego", disse O'Leary. "Recebemos 50 aviões no último inverno e em vez de correr por aí para abrir novas bases e rotas em novembro e dezembro, vamos deixá-los no chão. Com os preços mais altos do petróleo não faz sentido [colocá-los em operação]."
A Ryanair transformou a indústria dos transportes aéreos da Europa desde que O'Leary assumiu seu comando em 1990, depois de estudar o crescimento da americana Southwest, oferecendo voos entre cidades anteriormente não atendidas pelo transporte aéreo e atraindo passageiros de companhias estabelecidas com passagens mais baratas e serviços sem luxo.
Mais recentemente, O'Leary sinalizou planos para atrair passageiros dispostos a pagar mais caro, após esgotar as oportunidades para aumentar a receita cobrando por tudo, de checagem de bagagem à realização de reservas com cartões de crédito. Os cortes no inverno significam que o crescimento do número de passageiros transportados no exercício iniciado em 1º de abril, será limitado a cerca de 4%, metade do crescimento do ano passado, segundo O'Leary.
Os benefícios da redução de serviços e de um aumento nos preços das passagens a ser implementado depois que rivais impuseram sobretaxas por causa dos combustíveis serão anulados uma vez que os custos operacionais por passageiro aumentaram 13%, devido a um aumento antecipado de € 350 milhões na conta de querosene.
Alguns pilotos, membros de tripulações e engenheiros poderão ser demitidos para possibilitar a condição de redução dos voos, disse O'Leary. A companhia normalmente oferece três meses de licença não remunerada quando precisa reduzir o número de funcionários, e muitas pessoas que aceitam essa proposta na verdade não voltam, disse ele. "Continuará havendo crescimento, mas num ritmo bem menor", disse Brian Devine, analista da NCB Stockbrokers, de Londres. "Eles iriam acabar atingindo um limite, mas isso aconteceu um pouco antes do que as pessoas esperavam." Analistas haviam previsto um lucro líquido de € 490 milhões para o atual exercício.
A EasyJet, segunda maior companhia aérea de descontos da Europa, também está se afastando do modelo puro de custos baixos, na medida em que a presidente-executiva Carolyn McCall tenta atrair viajantes de negócios, oferecendo tarifas flexíveis e vendendo passagens para clientes corporativos usando equipes dedicadas de vendas, em vez de empregar apenas seu site na internet para isso.
A receita da Ryanair cresceu 21% para € 3,63 bilhões no exercício encerrado em 31 de março, enquanto o número de passageiros transportados chegou a 72 milhões. A companhia teve uma despesa de € 26,1 milhões com uma interrupção das operações provocada por outra erupção vulcânica em abril do ano passado.
O lucro líquido cresceu 26%, excluindo-se os itens extraordinários, superando estimativas de analistas, que previam uma alta de 20% no lucro, para € 383 milhões.
O lucro do atual exercício deverá ser "parecido" ao de 2010, com o aumento dos preços das passagens servindo para financiar o aumento da conta de combustíveis relacionada às rotas mais longas, disse O'Leary, acrescentando que ele "continua preocupado" com o impacto das economias fracas da Europa e suas medidas de austeridade que estão sendo adotadas.
Fonte: Valor Econômico











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